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Rankeando » Stephen King: Livros não Habituais


Stephen King é um autor fantástico. Suas histórias normalmente dão vida à personagens muito tangíveis e relacionáveis, pessoas extremamente comuns que poderiam muito bem ser você ou eu, só que envolvidas em situações extraordinárias - e por extraordinárias, quando se trata de King, normalmente o significado é sobrenatural.

Não é à toa que o autor é um best-seller renomado, com seus livros sendo traduzidos em diversas línguas. São mais de 60 livros publicados  - e contando! -, além de diversos contos publicados em revistas, artigos e jornais.

Com tantos livros, assim, fica até difícil recomendar um ou outro, e inclusive 
já recomendamos um aqui. E é nessa mesma onda que faremos um top 5, só que um pouco diferente. Serão cinco livros que raramente são recomendados pelos fãs, ora por serem menos conhecidos que os já manjados famosos livros como “A Coisa” e “O Iluminado”, ora por apresentarem características diferentes das que os demais livros do King apresentam. 


E sem mais delongas, vamos a lista:


5 - A Hora do Lobisomem


Cycle of the Werewolf, ou A Hora do Lobisomem como foi nomeado - uma péssima escolha, diga-se de passagem - no Brasil, dificilmente está dentre as melhores obras do autor.

Os fãs mais compenetrados raramente indicam esse livro por conta de sua extrema superficialidade descritiva, em extremo oposto às demais obras do autor. Entretanto é tal característica que torna a obra tão boa.

Aqui, o foco é na criatura, mais que nos personagens. O livro é extremamente curto, dividido em 12 capítulos, cada um referente à um mês do ano, que completa o “ciclo do lobisomem”. King, em um inédito tom narrativo para o autor, é bem econômico nos detalhes, principalmente dos personagens e ambientes, colocando todo seu foco nos acontecimentos. Isso deixa o livro muito dinâmico e empolgante.

Por diversas vezes o livro chega a ser bobo, mas de uma maneira boa. Explico: é quase como se fosse uma daquelas revistas em quadrinhos de terror famosas aqui no Brasil em meados dos anos noventa, despretensiosas, bobas, e muito gostosas de se ler.

Ainda, o personagem principal é um garoto de 10 anos preso numa cadeira de rodas, logo, pontos pela representatividade.


4 - Os Estranhos


Com o perdão do trocadilho, estranhamente esse livro não recebe o amor que merece pelo fãs do autor, o que acaba fazendo com que ele seja relativamente mais desconhecido, especialmente em terras tupiniquins. The Tommyknockers - é, esse seria difícil de traduzir mesmo -, ou Os Estranhos como foi nomeado no Brasil, é geralmente criticado pelos fãs por ser o extremo oposto de A Hora do Lobisomem, ou seja: descritivo demais.

São mais de 600 páginas que descrevem a boa parte da vida dos personagens principais e secundários - e terciários, e até uns quaternários - antes que o livro engrene e foque no que realmente move a trama, uma nave alienígena soterrada numa floresta à talvez milhares de anos próximo à uma cidadezinha no interior do Maine - cenário de 90% dos livros do autor.

Entretanto, novamente, isso é o que faz o livro ser tão bom! King faz o que sabe fazer melhor: dar vida à personagens comuns, suas rotinas e seus segredos, que levam suas vidas normalmente, até que algo extraordinário - lembre-se, sobrenatural - se abate sobre eles.

São personagens riquíssimos com insights tão interessantes, que eu me vi devorando o livro em um final de semana, sem entender o motivo de alguns acharem o livro maçante.


3 - Ao Cair da Noite


Esse livro raramente figura entre as recomendações de fãs por um simples motivo: ele não é o melhor livro de coletânia de contos do autor. King possui vários livros do tipo que foram lançados ao longo do anos, livros que apresentam várias histórias curtas sem relação -aparente - entre si, várias vezes mudando de gênero e foco narrativo. Tripulação de Esqueletos é um dos meus favoritos nesse estilo.

Por conta disso, Just After Sunset, ou Ao Cair da Noite acaba sendo esquecido por muitos. Mas isso não faz com que o livro seja menos genial. Há um ou outro conto que pode não agradar à todos, mas também apresenta verdadeiras gemas, como “O Gato dos Infernos”, um conto extremamente divertido e louco, “Mudo”, um conto bastante sagaz e interessante, e ainda “N”, o melhor conto do livro, e um dos melhores que já li do King.

No total são 13 contos, e apesar de serem bastante diversificados - do psicológico ao humor sanguinolento -, são poucos os que deixam a peteca cair, constituindo uma coletânea muito boa para se ler numa tarde chuvosa.  


2 - Novembro de 63


Lançado em 2013 aqui no Brasil, não consigo pensar em nenhum outro motivo além do nome estranho e pouco chamativo para que 11/22/63, ou Novembro de 63 como é chamado por aqui, tenha tido a recepção tão morna quanto ele teve, entre os fãs e crítica literária brasileira.

O título é um clássico contemporâneo e certamente entra para o roll dos melhores que o King já escreveu.

Aqui King escreve com uma propriedade tremenda sobre o amor, - parecido com Love : A História de Lidsey, que merece uma menção honrosa por também ser um ótimo livro e tão pouco amado - só que ritmado e envolto sobre a ótica da Ficção Científica, com doses tremendas de história real - o modo que King descreve e traz à vida os Estados Unidos do fim dos anos cinquenta é  extremamente rico, já que é perceptível o capricho do autor ao se denotar o quanto de pesquisa foi feita em termos de contexto histórico, social e econômico para trazer tal período de tempo à tona.

E se tamanho esmero não te convenceu ainda, saiba que o livro gira em torno de viagens no tempo. O passado pode ser mudado? Ou melhor, o passado quer ser mudado?



1 - Sobre a Escrita: A Arte em Memórias


Um dos livros de não-ficção do King, e também o melhor deles. Publicado ainda esse ano - 2015 - no Brasil, esse é um dos livros mais fantásticos do autor.

Parte biográfico, parte aula de letras, esse título é indispensável tanto para aspirantes à escritor quanto para leitores, sejam os mais ávidos ou os mais ocasionais.

King, num tom pessoal e empático, nos convida a enxergar a profissão do escritor sobre a sua ótica, mostrando as ferramentas que todo autor deve ter, baseando seus conselhos em experiências e memórias cativantes das quais partilha com o leitor. É uma visão prática e ao mesmo tempo humanizada sobre o ofício, e uma leitura extasiante pelas mãos de um verdadeiro mestre.

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