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Crítica » Chrono Trigger especial 20 anos!


Há 20 anos atrás era publicado pela até então Square Soft o jogo que seria um dos melhores RPG’s - talvez até jogos - de todos os tempos, Chrono Trigger.

Produzido por um time não menos que estelar, que acabou sendo chamado por esse nome mesmo, The Dream Team, que contava com Hironobu Sakaguchi - criador e então produtor da série Final Fantasy -, Yuji Horii - criador e então diretor da série Dragon Quest -, Akira Toryama - que você deve conhecer principalmente pelo mangá de Dragon Ball, e que também era o character designer de Dragon Quest -, Nubou Uematsu - até então compositor principal da série Final Fantasy -, e Kazuhiko Aoki - produtor da Square envolvido em diversos títulos da época -, o jogo acabou sendo um sucesso absoluto comercial e de crítica.

O jogo lançado em 1995 era uma tremenda adição para a já fantástica galeria de RPG’s do Super Nintendo. A ideia da produção era criar algo que ultrapassasse as barreiras do comum, algo realmente inovador no gênero, que apesar de ainda extremamente popular na época, estava caindo na mesmice. E o propósito certamente foi alcançado, visto que ainda hoje, o título se encontra entre os jogos favoritos de muitos jogadores, com relançamentos para diversos outros consoles - Playstation, Nintendo DS, Nintendo Wii - e até mesmo para dispositivos mobile, sendo um clássico que parece só ficar melhor com o avanço do cronômetro. Pois é!


Viajantes do Tempo!

Toda a grandiosidade do título já pode ser vista pelo enredo, que de uma maneira bem suave e engenhosa, transita do “amigos se divertindo” para o clássico “temos que salvar o mundo”.

A aventura começa com Crono sendo desperto por sua mãe, que o avisa que ele vai se atrasar para a “Feira Milenar”, uma feira que comemora o aniversário de mil anos do Reino de Guardia, que está acontecendo na praça da cidade. Durante sua estadia na feira, o protagonista esbarra com Marle, que após alguma confusão, insiste em segui-lo. Crono e Marle decidem então observar a apresentação de Lucca, uma amiga de Crono, e seu pai, ambos inventores. Ele demonstram a máquina de teleporte que haviam projetado. Quando Marle se oferece como cobaia na demonstração, seu colar reage à máquina, criando um portal temporada que a suga e a manda quatrocentos anos no passado, em 600 AD. Crono e Lucca, ainda sob posse do colar de Marle, decidem repetir o experimento e ir atrás de Marle para resgatá-la.

Tudo isso é só um prelúdio para a longa e árdua jornada que aguarda os protagonistas, que se desenrola ao passo que eles tentam prevenir um terrível futuro de acontecer, onde uma enorme criatura conhecida como Lavos destrói todo o mundo, em 1999 AD.


Um grande grupo de amigos


Nenhum enredo é bom o bastante se não há bons personagens para fazer a história acontecer. E provavelmente os produtores tinham isso em mente ao criarem o time de protagonistas. São sete personagens únicos, com histórias e motivações muito bem caracterizadas. Eles são simplesmente cativantes, ao ponto de você se sentir mal por escolher um para usar em determinada batalha em detrimento de outro.

Além de Crono, nosso herói destemido - e mudo -, Marle, a princesa que gosta de fugir do castelo e esconder sua identidade e Lucca, a menina gênio da mecânica e ciência, todos do mesmo período de tempo, a party ainda recebe as adições de Robo, um robô encontrado em 2300 AD consertado por Lucca que detém uma personalidade quase humana e uma bondade inesgotável, Ayla, a chefe de uma tribo pré-histórica de 65 000 000 BC, conhecida por sua força física inigualável e sua moralidade pura, e Frog, um cavaleiro chamado Glen, que foi transformado em um sapo e teve o parceiro morto por Magus, um poderoso feiticeiro, e supostamente responsável pela invocação de Lavos.

Cada personagem é temporariamente fixo na party, a fim de apresentá-los ao jogador. Depois disso, cabe nos cabe definir com quem quer jogar. Cada um tem uma árvore de Habilidades única, o que torna a escolha dos personagens de certa forma parte da estratégia, já que não compensa, por exemplo, levar Lucca, que aprende magias de fogo, para enfrentar algum boss resistente ao elemento. 


 
Um novo jeito de fazer RPG - ainda que 20 anos depois -


Por falar em habilidades, o jogo inova bastante. Cada personagem aprende oito habilidades especificas - chamadas de tech -, que vão ganhando ao longo do jogo. Entretanto, durante as batalhas, o jogador pode combinar as Techs de dois ou três personagens para criar uma nova Tech mais poderosa durante as batalhas, em Double ou Triple Techs.

Com o Active Time Battle System de Final Fantasy, as batalhas também se tornam mais dinâmicas, e cada personagem tem uma barra indicando quanto tempo falta para que o mesmo possa executar uma ação. Dois personagens com a barra cheia podem executar uma Double Tech, e assim por diante.

As Techs possuem ainda efeito de área específicos, com muitas só acertando inimigos perto ou em determinadas posições do personagem que utiliza a habilidade.

As batalhas aqui não acontecem de forma aleatória, como na maioria dos RPG’s da época, e é possível ver os inimigos no mapa antes de enfrentá-los, podendo até mesmo fugir dos mesmo e evitar confrontos. As batalhas também acontecem sem nenhuma tela de transição, tendo lugar no mapa onde o inimigo está. 


Apresentação digna de um clássico
 
Os gráficos do títulos são magníficos, um verdadeiro êxtase em 16 bits.

O jogo é muito colorido e vibrante, com uma palheta de cores rica e harmônica. E é a partir das cores que o jogo consegue transparecer grande parte do tom e atmosfera também. O futuro destruído em 2300 AD é muito bem representado por tons soturnos e sombrios, realmente trazendo aquele sentimento de desolação, enquanto o passado pré-histórico de 65 000 000 BC, com seus tons vermelhos, laranjas e amarelos, realmente evocam uma passado primordial.

Os sprites dos personagens são soberbos. Todos muitos bem animados e fluídos, e com diversas poses que imprimem personalidades e características únicas, sendo grandes responsáveis por boa parte do carisma do título. E isso tudo no Super Nintendo, vale lembrar!

Os menus são simples e de interface amigável, ajudando no dinamismo das lutas ou sendo claros o bastante quando o jogador deseja analisar status de personagens e equipamentos.

Os gráficos envelheceram muito bem com o tempo, e, desde que o jogador saiba apreciar sprites em 2D, os detalhes dos cenários e personagens encherão seus olhos.


Uma magnífica sinfonia

Acompanhando a hipérbole do jogo em si, a trilha sonora pode ser considerada a melhor trilha de todos os tempos.

Aqui Nobuo Uematsu e Yasunori Mitsuda entregam temas belíssimos, empolgantes, tristes, calmos e alegres de tal forma que, às vezes até é possível esquecer que os sons são de sintetizadores e não de uma bela orquestra virtual.

Cada som compõe com maestria o momento ao qual é inserido no jogo, e todos são realmente inesquecíveis, como Frog’s theme, que transmite a personalidade leal e nobre do personagem, ou a linda To Far Away Times, que rola nos créditos finais.

Isso sem falar de Chrono Trigger, a música tema que leva o nome do título, talvez o melhor tema já criado para um jogo, sem questionamento.


Uma vez só não é o bastante

Chrono Trigger é um jogo extremamente emocional, quase homérico como os épicos grandiosos, mas ao mesmo tempo, muito íntimo e pessoal. São diversas as nuances e impressões que o jogo pode passar, e que dependem apenas de como o jogador as enxerga.

Por conta disso e de seus treze - ou quatorze, se contarmos o ruim - finais distintos, muitos dos quais o jogador só pode alcançar numa segunda jogatina, Chrono Trigger merece ser jogado várias vezes. É um clássico recomendável virtualmente para qualquer um que deseja uma gratificante aventura, que ao menos lhe proporcionará muita diversão, mas que possivelmente fará com que relembre o motivo de amar video games.

Não jogou ainda? Não espere mais! Já jogou? Relembre esse jogo incrível e jogue novamente! De qualquer forma, nos conte sua experiência aqui nos comentários!

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