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Crítica » Resident Evil REvelations 2 - Episódio 3: Julgamento

 

"See, just relax and play."


Quando terminei de jogar o segundo episódio, Contemplação, apenas um sentimento conseguiu ser forte o suficiente em mim para dominar todos os outros: a ansiedade. No terceiro episódio deste jogo que já está conquistando um lugar no meu coração, a história não deixou o ritmo cair e preparou os eventos para que culminem de forma brilhante na quarta e última parte.

"You lose, big guy!" 

 

 


Luís: Contrariando o que vinha acontecendo nos últimos dois episódios, em Julgamento tivemos uma inversão de qualidade e importância entre as campanhas de Claire e Barry. Até então, não só no quesito gameplay como também em importância e interação entre os personagens, a campanha de Barry era sem dúvida a melhor.

No entanto, a história do antigo membro da S.T.A.R.S acabou se desenvolvendo tão rapidamente que, após descobrirmos a verdade sobre a Supervisora, o enredo já não tinha mais para onde ir senão o final! Essa foi provavelmente a maior causa da estagnação da campanha de Barry e a tomada de importância na de Claire. Tudo, ou melhor, quase tudo de importante neste capítulo aconteceu na parte das garotas.

Coisas como o verdadeiro motivo para eles terem sido levados para a ilha, ou parte das intenções de Alex Wesker, ou ainda os puzzles que são bem próximos do que tínhamos nos clássicos. Tudo isto fez com que jogar a primeira parte se tornasse muito melhor; inclusive dando a impressão de que a jogatina se estende por muito mais tempo que a de Barry e Natalia.

Sobre as campanhas neste episódio, o que você achou Reuel?



Reuel: Realmente, a campanha que realmente brilha nesse episódio é definitivamente a de Claire e Moira, diferente dos dois primeiros episódios. As grandes revelações do enredo, as emoções e acontecimentos inesperados nessa primeira metade do episódio me deixarem sempre na borda do sofá, com os olhos grudados na tela. Tivemos diversos momentos tensos, sustos bem colocados em locais estratégicos e efetivos, e dinâmicas de gameplay, especialmente em chefões, que foram muito divertidas e também desafiadoras.

Dito isto, o lado de Barry e Natalia ainda não chega nem perto de ser ruim, apenas não é a melhor da vez. Enquanto toda a sua extensão nesse episódio possa soar como um verdadeiro filler, um tapa-buraco com muito pouco de relevante a se mostrar, ela apresenta momentos genuínos de diversão e tensão. Como maior trunfo, temos o Dhurlga, que serve como mid e last boss da campanha, e ele é virtualmente imortal.

Na primeira vez que o enfrentamos, dentro de uma espécie de fábrica, um local extremamente fechado e apertado, a dinâmica utilizando a dupla de personagens se fez extremamente necessária, e eu e o Luís passamos por um aperto literal para derrotá-lo. Mas tudo era apenas um aquecimento para a última vez que enfrentamos o monstro, onde vimos a tela de game-over incontáveis vezes até que conseguimos elaborar uma estratégia funcional para conseguir “vencê-lo”.

Foi na campanha de Barry também que recebemos a grande revelação do motivo de Moira não usar armas e da relação abalada entre pai e filha. Ainda que a resposta fosse meio óbvia, foi emocionante ver Barry desabafando com Natalia, dando inclusive uma nova camada de personalidade ao herói.

"What is it with this guy and cranks?"

 


Luís: Um dos fatores que me fez apreciar muito mais a campanha da Claire foi o fato dela voltar com os conhecidos puzzles. Bom, ainda não são tantos quanto os jogos clássicos, mas renderam alguns minutos para tentarmos desvendar. De fato, todo o episódio é repleto de pequenos - e simples - quebra-cabeças que precisamos resolver para prosseguir com o jogo.

No entanto, o único que eu considero como um puzzle de verdade é também o único que não precisa ser resolvido para seguirmos em frente. Em um certo ponto, Claire e Moira chegam à uma espécie de cemitério e ao seu respectivo enigma:

“Se você quiser saber a verdade, jure lealdade à ordem. Só então você poderá se livrar das algemas do pecado!

Para o primeiro, você sempre foi tolo, então não terá túmulo;
Para o segundo, você deverá carregar a face sobre as costas;
Para o terceiro, você deverá ser o vizinho do quarto ao lado do terceiro, mas uma fileira atrás;
Para o quarto, você deverá ter a cabeça cortada.”

De certa forma, o enigma é bem fácil, mas ao ler a versão em português notamos que não ficou tão fácil assim. Devido a tradução - da qual falaremos em um outro parágrafo - ficamos boa parte do tempo tentando entender algo que seria bem óbvio. No mais os enigmas são divertidos e este último em especial é recompensador de tentar.



Reuel: Achei a inclusão dos puzzles na campanha de Claire a cereja do topo de uma campanha já muito boa. A maioria deles realmente não é desafiadora, mas acabam quebrando a rotina da progressão do jogo e nos dando algo à mais para pensar. Foi uma adição muito bem vinda, e que de quebra ainda dá todo aquele clima de clássico ao jogo.

Infelizmente, a mesma apreciação não pode ser atribuída à campanha de Barry e Natalia. Os diversos puzzles simplificados e repetitivos nessa parte do episódio, aliados à pouca relevância ao enredo geral, me deram a impressão de que tudo que joguei com Barry nesse episódio foi um grande e arrastado tapa-buraco, quase desnecessário, apesar de divertido em alguns momentos.

A dinâmica de separar os persongens foi usada à exaustão logo no começo da campanha, com Natalia tendo que seguir sozinha abrindo portas em consecução - cinco no total - para a passagem de Barry, através de alavancas. A dinâmica é legal e diferente, mas logo cansa. O mesmo com o puzzle já no fim da campanha, simples, porém extremamente repetitivo, que consiste em levar uma caixa de energia através de um sistema de esteiras de transporte numa fábrica de mineração abandonada.

Apesar de extremamente simples, o puzzle acaba se tornando bem maçante pela lentidão com a qual o jogador é obrigado à proceder. A diversão aqui acaba sendo o fato de que podemos matar vários monstros enquanto resolvemos o problema, diminuindo um pouco a estagnação.

"Oh great, I feel more crazy talk coming on."

 


Luís: Se teve um fator que sempre me incomodou em REvelations 2, foi a tradução e localização do jogo. Desde o primeiro capítulo observamos problemas graves na tradução para o português do Brasil. São frases que não fazem nenhum sentindo com o que os personagens estão realmente falando, como o uso de “come on” no sentido de “venha” que foi traduzido como “fala sério”.

Com traduções assim, a impressão que temos é a de que o material original foi simplesmente jogado no Google Tradutor e o resultado foi jogado imediatamente no jogo. No entanto, nenhuma tradução me pareceu tão bizarra e fora do contexto como a que vi no segundo capítulo onde os personagens ao falarem de uma "sirene", a legenda traduz como “ninfa”. É até difícil imaginar o caminho que levou alguém a traduzir desta maneira.

Porém, para não dizer que a tradução é de todo ruim, temos os xingamentos de Moira que são um espetáculo de criatividade e localização. Parece que todo o talento do tradutor foi usado neste aspecto do jogo. No mais, para a maioria dos diálogos, as legendas encaixam bem - não dignamente.

“It’s like a Raccoon City reunion…”

 


Luís: Deixando de lado a inspiração em “The Last Of Us” e a vaga lembrança a um “Jogos Mortais”, em REvelations 2, as referências vêm também de vários outros títulos da franquia. Começando pelo enredo que, como citado anteriormente pelo Reuel, é muito parecido com Resident Evil: Code Veronica, onde Claire acorda numa prisão e precisa sair de lá à todo custo ao passo em que Chris, seu irmão vai até à ilha para salvá-la.

O jogo oscila bastante entre dois títulos da série: o primeiro é em Resident Evil 5, seu antecessor cronológico; o segundo é o REvelations original. Podemos ver estes dois jogos como a principal fonte de referências para REvelations 2, quando por exemplo, vemos no comercial da Terra-Save citações ao incidente em Terragrigia - do primeiro REvelations - e os eventos em Kijuju - cidade africana de Resident Evil 5.

Porém, nem só de Claire ou referências à acontecimentos passados vive REvelations 2, temos um outro personagem das antigas que tem muitas frases icônicas para os fãs da série; sim, estamos falando de Barry Burton! Ao falar o nome dele, aposto que a primeira referência que você pensou foi em “Jill Sandwich”, certo? O mais legal desta cena, é percebemos o quanto a isto repercutiu ao ponto de Moira reclamar sobre o ele sempre  contar a essa história.

Temos também o “Who’s the master of unlocking now?” uma referência à frase dita por ele mesmo para Jill no primeiro jogo da série. No entanto, vou citar uma ainda mais recente - deste terceiro capítulo, inclusive - que é claramente uma referência ao "Itchy Tasty" visto nos arquivos também do primeiro jogo.

E você, Reuel, lembrou de mais algum?



Reuel: Aquele file foi muito bacana! Uma ótima referência ao “Keeper’s Diary” do primeiro Resident Evil.

REvelations 2 continua nos brindando com referências bem divertidas à série mesmo, e não só de maneira direta como as que você citou, Luís, mas também de modo a quase quebrar a quarta parede, como quando Claire diz “Why did it open? I didn't do anything…” logo no começo do primeiro episódio quando a porta da cela se abre sozinha, uma possível brincadeira com o fato de que normalmente temos que tomar parte em algum puzzle para abrir portas nos jogos da série.

Ou ainda, quando Claire assegura à Moira que, de acordo com a experiência dela, elas irão encontrar os itens necessários para fazer o helicóptero funcionar no segundo episódio, diante da incredibilidade de Moira já que ambas se encontravam no meio de um arcaico vilarejo numa ilha isolada. É uma referência engraçada ao fato de como nos jogos da franquia, itens são convenientemente encontrados quando mais se precisa deles.

Temos também alguns sustos que me lembraram jogos anteriores, como monstros que pulam de uma parede de vidro - nós dois pulamos no sofá com essa -, o que acredito que, além de um jump scare efetivo, é ainda uma referência ao Licker que faz a mesma coisa em Resident Evil 2, e um monstro numa cabine de banheiro, algo que vem acontecendo em diversos títulos recentes da série.

"C'mon. It's not over yet."

 


Com REvelations 2: Julgamento, a série deixa tudo pronto para o encerramento em seu quarto capítulo, e para nós resta apenas muita ansiedade para com o final deste já incrível jogo. Com uma troca de importância entre as campanhas de Claire e Barry, vimos a volta dos puzzles - mesmo que de forma tímida - e mais uma enxurrada de referências aos outros jogos da série.

Já jogou? Deixe sua opinião aqui nos comentários. Não jogou ainda? Então, prepare-se para sustos e muitas revelações - viram o que eu fiz aqui? - neste terceiro e por que não no quarto episódio de REvelations 2!

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