Crítica » Kingsman: Serviço Secreto - Criando Heróis

Últimas Notícias

Crítica » Kingsman: Serviço Secreto



“Manners maketh man. Do you know what that means? Then let me teach you a lesson.”

Matthew Vaughn é um diretor que vem conseguindo acertar muitos de seus filmes recentes. Pegando os trabalhos que se envolveu ou irá se envolver, temos Kick Ass, X-Men: Primeira Classe, ou inclusive o próximo filme do Quarteto Fantástico - onde é produtor.

Essa pequena lista - que conta com pelo menos mais quatro filmes -, mostra que Matthew tem trabalhado bastante com projetos de adaptações de quadrinhos. Suas adaptações nem sempre são fiéis aos acontecimentos, mas conseguem carregar bem a atmosfera da obra original.

Em Kingsman: Serviço Secreto, o diretor repete a dose ao se basear livremente nos quadrinhos de Mark Millar e Dave Gibbons. Escrito em 2012 pela dupla, Serviço Secreto conta a história de Jack “Tio Jack” London que tenta recrutar seu sobrinho Gary London para o MI6.


Sai o Tio Jack, e entra Harry “Galahad” Hart - , um gentleman espião da Kingsman. Durante uma missão no Oriente Médio, um agente em treinamento se sacrifica para salvar a vida de Harry e do resto da equipe. Em retribuição, Galahad decide ir pessoalmente dar a triste notícia à família e deixa uma medalha de bravura com Gary “Eggsy” Unwin. Para Eggsy, basta ligar para um número e dizer o código secreto que a ajuda virá.

Dezessete anos depois, Gary é um jovem adulto desempregado que mora com a mãe, uma pequena meia-irmã e um padastro abusivo. O jovem, apesar de genial, desperdiça seus talentos em envolvimentos com drogas e outros crimes. Após furtar um carro por vingança e ir preso, Gary decide que é a hora de ligar para o tal número.

Harry livra sua barra e vendo o estado atual do garoto, decide  oferecer uma vaga na Kingsman. Porém, para ser aceito Eggsy precisará enfrentar outros canditados na que é considerada “a entrevista de emprego mais perigosa do mundo” enquanto o bilionário da internet Richmond Valentine tenta por seu plano em prática com a ajuda de Gazelle, a “parceira mais mortal do mundo”.

Como citado anteriormente, o filme pega apenas um esboço da história de Millar. Alguns personagens, situações e só. Entretanto, toda a ideia de espionagem clássica proposta pelos quadrinhos - no maior estilo James Bond - está lá.


Cada gentlemen da organização é classificado de acordo com o nome de um dos cavaleiros da Távola Redonda. Sempre que um agente morre, é feito um processo para que surja um substituto. Talvez por me interessar bastante pelas histórias do Rei Arthur - as boas histórias - me chama atenção este sistema de classificação. Ele te faz querer ver quem é o agente mais badass, como o Lancelot, Merlin, Arthur ou até mesmo o Galahad.

A história é empolgante e as cenas de ação são de tirar o fôlego de tão incessantes. Com este ritmo, você mal vai conseguir prestar atenção na história. Mas será que precisa? O enredo é simples e não tem muitas reviravoltas, inclusive Vaughn nem se dá ao trabalho de esconder o que cada personagem fez ou fará durante o filme. Essa mesma decisão foi tomada por ele ao revelar em filme o que seria o plot-twist do primeiro volume de Kick Ass.

No entanto, vale ressaltar que o longa tem uma pegada bem mais próxima aos clássicos de espionagem, então com tantas referências - inclusive na polêmica de um dos pôsteres - à essa categoria de filmes, dificilmente o enredo simples se tornará um empecilho para gostarmos dos outros aspectos.

“The suit is the modern gentleman's armour.”



Quando o assunto são os personagens, a história muda da água para o vinho: todos os mais relevantes para a história são muito fortes e convencem você de suas motivações. Essa constatação, no entanto, é explicada ao analisarmos os atores que participam do filme. Temos por exemplo, Colin Firth - ganhador do Oscar de melhor ator pelo filme O Discurso do Rei -, Samuel L. Jackson, Mark Strong, Michael Caine, entre outros.

Dito isto, é fácil entender porque você se afeiçoa tão rapidamente aos personagens. Porém, o mesmo não se pode dizer dos relacionamentos entre eles. Talvez pela “frieza” dos ingleses ou por realmente não conseguir expressar uma importância para as relações do filme, Kingsman peca por forçar quase que “goela abaixo” que você precisa sentir compaixão no relacionamento dos personagens.

O vilão é definitivamente um excêntrico milionário da internet - Kim Dotcom, estou de olho no senhor -, é cheio de manias e não pode ter o menor contato com sangue, nem mesmo visual. Seu plano, no geral, é genérico e nos remete aos antigos vilões de “Bond, James Bond”, embora eu tenha achado no mínimo curioso a maneira como ele o decide por em prática.



Kingsman: Serviço Secreto é um filme que, apesar das acusações de machismo, coloca em cena duas ótimas personagens femininas. Do lado da Kingsman temos Roxie, uma jovem que além de muito inteligente, é uma ótima combatente - tendo recebido treinamento militar - e ainda consegue ser bem sucedida onde o herói Gary falha - exceto quando o assunto envolve quedas livres.

Do outro temos Gazelle, a linda - e mortal - assistente de Valentine que pode te cortar em dois antes mesmo que você consiga entender o que aconteceu. Com ela, vi que o filme possui uma veia um pouco Tarantinesca, ao inserir personagens com algum ponto marcante - no caso de Gazelle, suas duas próteses - e não dar explicações sobre sua origem, deixando que você decida se ele merece ou não respeito pelo que faz na tela.

Para mim não há dúvidas quanto ao melhor personagem ser Galahad. Que cenas bem feitas! Que ator e personagem bons! Suas aparições são quase sempre as melhores deixando para Gary - vivido por Taron Egerton - uma das melhores cenas de luta final dos últimos tempos.

“Are we going to stand around here all day or are we going to fight?”


Matthew Vaughn é conhecido por criar cenas de luta extremamente violentas. Então, como um filme tão violento recebeu a classificação de 16 e não 18 anos aqui no Brasil? Bom, a resposta fica por conta dos efeitos especiais e do jogo de câmeras que, aqui, têm o objetivo de mascarar um pouco a violência. São tantas cores e pouco sangue que, quando ocorre um headshot, você mal consegue ver os miolos voando. Porém, não se preocupe, para deixar as cenas mais leves, Vaughn também faz questão de deixar claro que todo personagem que morre tem um motivo para tal.

Quanto ao ritmo das lutas, elas são muito bem coreografadas e executadas. Você sente o peso do golpe desferido contra o oponente e a leveza com que Gazelle arranca os membros deles. Para ter uma noção de como funcionam as lutas, basta assistir ao primeiro Kick Ass que você entenderá do que estou falando.

Com um custo de US$ 81 milhões, o filme - que já conseguiu se pagar - tenta não abusar do que não tem. Em outras palavras, Kingsman provou que um longa consegue sim gastar pouco e ter efeitos especiais mais do que satisfatórios para obter sucesso.


A trilha sonora é composta por Henry Jackman e Matthew Margeson, é empolgante e você já percebe o quanto, ao ouvir “Manners Maketh Man”. A música, que pode ser considerada a que faz com que lembremos automaticamente do filme, é também uma referência aos filmes de espião - bem como todo o filme - e é bastante dramática. Aos 30 segundos porém, entra um tema mais heróico, que nos remete ao filme X-Men: Primeira Classe,.

Vale uma menção à músicas como “To Become A Kingsman”, “Calculated Infiltration” e “Finale” que podem ser considerados os pontos altos da trilha.

Ação de tirar o fôlego, personagens fortes e uma trilha que casa perfeitamente são os elementos principais deste filme. Minha opinião? Vale a pena sim conferir mais este filme de Matthew Vaughn. Já assistiu? Deixe sua opinião aqui nos comentários!

Criando Heróis desenvolvido por Templateism.com copyright © 2014

Tecnologia do Blogger.