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Quando me perguntam quem veio primeiro, Digimon ou Pokemon, eu normalmente só tenho uma resposta: MegaTen. Continue lendo e você saberá o motivo.

A série Megami Tensei - reencarnação da deusa, numa tradução livre -, ou MegaTen para os íntimos, surgiu em 1987 para o Nintendinho 8bits, originalmente baseada numa trilogia de livros japoneses escritos por Aya Nishitani, lançados no final da década de 80, chamada Digital Devil Story. Conhecida por introduzir elementos primários variados no cenário antes normativamente imutável dos JRPG’s, elementos estes que se tornariam características fundamentais da série como um todo, a
franquia vem cada vez mais ganhando status “cult” entre os jogadores ocidentais. 

Aqui, elementos técnicos como exploração de dungeons e sistemas de batalha em primeira pessoa, sistema de conversação e recrutamento de demônios para seu grupo e um nível de dificuldade extremo se aliam a uma ambientação gótica e pesada, com críticas e alusões à política, sociedade, ciência, tecnologia e religião, explorando os conceitos de certo e errado e a linha tênue que os separa, sempre de forma a estimular o jogador a se testar e se questionar, talvez se descobrindo enquanto o mesmo acontece com os personagens na história, e vem satisfazendo cada vez mais jogadores que procuram uma experiência mais profunda e diferente em jogos eletrônicos.  Afinal, qual seria o lugar da humanidade numa terra devastada pelas mãos de suas antigas deidades, especialmente quando o poder de moldar a realidade está em suas mãos?  Ou, como a sub-franquia Persona e toda a sua psicologia junguiana colocam, quais são as máscaras - personas - que compõe o seu eu social, e quem é você de verdade?

Já em seu lançamento, nove anos antes da primeira geração de Pokemon e dos primeiros V-Pets de Digimon, Megami Tensei já permitia o alistamento de monstros para o seu time. Diferente de seus irmãos mais novos, entretanto, o único modo de consegui-los é através da lábia. Durante a batalha, normalmente nos jogos da série, existe a opção de iniciar uma conversa com o inimigo, que, dependendo de diversos fatores e das suas respostas, pode escolher se juntar à sua equipe, te dar itens ou dinheiro, e até mesmo atacar seu time. Aqui porém, não há qualquer incentivo do jogo em fazer o jogador enxergar os demônios aliados como amigos ou companheiros, como Pikachu ou Agumon, e sim como peões, incentivando o jogador a descartá-los ou fusioná-los obtendo novos demônios mais poderosos, à medida que vão perdendo a relevância nas batalhas. 
 
Outro sistema interessante que permeia por quase toda a série é o sistema de alinhamento. A medida que o jogo avança, o jogador é levado a tomar várias decisões mediante questões de cunho filosófico e, baseado nessas escolhas e alguns outros fatores, o alinhamento do jogador começa a tender para uma das facções que representam os ideais dos personagens.

Normalmente essas facções, inspiradas por Dungeons&Dragons, são Law, Chaos e Neutral. Na maioria dos jogos o alinhamento define a afinidade do personagem do jogador com determinados demônios, assim facilitando o recrutamento e obtenção de items de alguns tipos de inimigos em detrimento de outros. O alinhamento também pode definir o rumo que o enredo toma no jogo, inclusive alterando seu final, geralmente com mudanças bastante drásticas de um alinhamento para outro.

Law, representado pela religião “Messian” na série, geralmente é composto por ideais de ordem e a paz, comumente associados com o cristianismo e outras entidades religiosas semelhantes. Apesar disso, seu extremo leva à ditadura e ao elitismo, com leis absolutas e estritas. 

Já o alinhamento Chaos, normalmente representado pela religião “Gaean”, é associado com liberdade e violência. Promove a liberdade de escolha e de ação acima de tudo. Quando levado ao extremo, entretanto, esse alinhamento leva à anarquia e destruição, levando o mundo ao estado primitivo de sobrevivência do mais forte, uma eterna luta pela subsistência.

Enquanto Law e Chaos são completamente opostos e entram em conflito efetivamente direto, Neutral é um alinhamento balanceado, normalmente não representado por nenhuma religião ou grupo. Geralmente, engloba o ideal que aceita a necessidade de leis de governo, mas nunca ao custo de liberdades individuais. Apesar de parecer o alinhamento mais idealístico, é também o mais individualista, normalmente desfazendo os laços de amizade entre o protagonista e os seus companheiros de equipe, e fazendo com que o protagonista tenha que se opor a todos os inimigos e antigos aliados, pelo fato de não ter escolhido nenhum lado em particular.

Dessa forma, outra característica marcante é que, enquanto os personagens secundários possuem personalidades e posições ideológicas fixas e bem construídas a fim de influenciarem nas decisões do jogador, o personagem principal na esmagadora maioria dos jogos da série, se não em todos, é mudo e inicialmente quase que totalmente desprovido de caracterização.  Isso torna a experiência da jogatina muito mais pessoal e única, já que o personagem serve apenas como um avatar do jogador, este último encarregado de transpor sua própria personalidade para dar vida e efetivamente moldar o enredo.

A Primeira Reencarnação da Deusa

 


O primeiro jogo, lançado para o Nintendo 8bits em 1987, pega emprestado o título do primeiro dos três livros, Digital Devil Story: Megami Tensei, e assim como na história original, segue os passos do protagonista Akemi Nakajima, um jovem programador gênio que descobriu, através dos computadores, uma maneira de se comunicar com seres fantásticos de outro universo – conhecido como Makai -, os demônios - no japonês, akumas - que,  diferente da conotação cristã ocidental mais comum a nós brasileiros, compreendem todo tipo de criatura mitológica ou proveniente de fábulas, desde o nórdico Odin ao próprio anjo caído Lúcifer, passando por duendes, fadas, deuses das mais variadas culturas e muito, muito mais. Nakajima então desenvolve o Demon Summoning Program - Programa de Invocação de Demônios, numa tradução rápida -, usando um script que simula rituais de invocação, a fim de se vingar de um colega de classe de quem havia levado uma surra. Assim, ele invoca Loki, que passa a exigir sacrifícios de mulheres. Após algumas mortes e Nakajima perceber que não tem controle algum sobre Loki, ele, juntamente com sua colega de classe chamada de Umiko a quem eles descobrem ser a reencarnação da deusa xintoísta Izanami - daí o título da série -, parte numa estranha jornada a fim de derrotar Loki.

Já, em Megami Tensei II, lançado em 1990 ainda para o Nintendinho, temos uma história original que se passa num futuro - o enredo se passa em 2036 -  apocalíptico, onde a humanidade quase se extinguiu em uma guerra que terminou no bombardeamento de mísseis, e os poucos sobreviventes foram obrigados à viver em abrigos antibomba. O enredo começa com dois adolescentes num desses abrigos jogando um jogo chamado “Devil Busters”. Acontece que esse jogo foi programado pelo protagonista do primeiro Megami Tensei,  Akemi Nakajima, e assim que os jovens derrotam o primeiro “chefão” do jogo, Pazuzu, um demônio que estava selado no jogo é liberto e os entrega o Demon Summoning Program criado por Nakajima, os alarmando de uma insurgência de demônios e os incumbindo de salvar o que resta da humanidade.

Ainda há um remake desses dois jogos num único cartucho para o Super Nintendo, chamado de Kyūyaku Megami Tensei - O Antigo Testamento da Reencarnação da Deusa, numa tradução aproximada. Esse remake foi publicado ATLUS

A Nova Reencarnação da Deusa


Após o lançamento de Megami Tensei II ainda sob a publisher NAMCO, a ATLUS, que até então só desenvolvia os jogos resolvei criar uma publisher própria e lançar novos jogos de forma independente. Assim nascia a subsérie Shin Megami Tensei, que viria a se tornar o principal nome da franquia, fazendo com que todos os próximos títulos e spin-offs tivessem tal selo. Shin Megami Tensei, numa tradução mais aproximada seria algo como “Reencarnação da Verdadeira Deusa” ou “Nova Reencarnação da Deusa”. Entretanto a partícula “Shin” é o equivalente na franquia ao “Super” em Super Mario Bros, apenas denotando a evolução técnica da série, que passou do Nintendinho 8 bits para o Super Nintendo.  
Shin Megami Tensei, lançado em 1992 para o Super Nintendo, ignora os dois primeiros Megami Tensei’s e começa uma nova história, apenas englobando elementos dos jogos anteriores. O jogo começa com uma sequência de sonhos em que o protagonista é levado através de um corredor desforme a se deparar com três figuras; a primeira um homem crucificado, seguido de um homem torturado por demônios e por fim, uma bela mulher que jura acompanha-lo eternamente. Essas figuras são representações dos companheiros que o personagem viria a encontrar no jogo futuramente. Ao acordar, o protagonista, vivendo na Tóquio atual, checa seus e-mails e percebe que recebeu um misterioso homem chamado Stephen o enviou um suspeito Demon Summoning Program, endereçado “à todos aqueles dispostos a usá-lo”. Momentos depois, descobre-se que experiências secretas com teletransporte à base de terminais levaram um grupo de cientistas a acidentalmente abrir um portal para um mundo povoado por demônios, e estes começaram a atacar as ruas da cidade. Usando o estranho programa do desconhecido Stephen que o protagonista baixou para seu laptop, ele consegue convencer alguns demônios a se aliarem a ele para lutar contra a invasão, ao passo que forças maiores estão trabalhando por trás das cortinas e orquestrando o fim da humanidade tal como conhecemos.

Shin Megami Tensei II é uma continuação direta do jogo anterior e foi lançado 1994, ainda para o Super Nintendo. Nele, você é colocado nos sapatos de Aleph, um homem sem memórias, que no decorrer do jogo descobre ser o novo Messias. O jogo se passa muitas décadas após o primeiro jogo, e é ambientado no futuro apocalíptico após o Grande Cataclismo, um evento que acontece no primeiro jogo em que, sob o subterfúgio de eliminar a invasão de demônios que ocorria em Tóquio, Thorman um suposto embaixador americano em Tóquio, na verdade o deus nórdico Thor disfarçado, lança diversos mísseis que acabam por exterminar boa parte da vida na Terra. O jogador, aqui no papel de Aleph, deve escolher o rumo que a humanidade deve tomar, ou rebelar-se contra aqueles que o fizeram Messias. 
Após o lançamento de diversos spin-offs resultantes do sucesso da série no Japão, a ATLUS resolveu lançar, em 2003 o próximo jogo da série principal, Shin Megami Tensei III: Nocturne, o primeiro jogo da série principal a ser lançado no ocidente. Aproveitando todos os recursos do PS2, Nocturne contava uma nova história. Aqui logo no começo, ao visitar sua professora doente num hospital em Tóquio, o protagonista e seus amigos testemunham um evento apocalíptico chamado “Conception”, ou Concepção, onde o mundo literalmente acaba, e dá forma ao Vortex World, um mundo sem formas ou leis naturais. Apenas as pessoas que estavam no hospital sobrevivem, e o protagonista ao ter sua força interior reconhecida, é transformado num demônio especial, conhecido como Demi-fiend, e deve provar sua força e escolher uma “Razão”, um conjunto de aspectos filosóficos que irá moldar as leis naturais do novo mundo. Mas primeiro ele deve provar sua força ao enfrentar uma série de desafios, enquanto o jogador decidi qual “Razão” seguir. As Razões são apresentadas pelos três amigos do protagonista e se assemelham bastante aos três alinhamentos clássicos da franquia. O jogador ainda pode escolher não seguir nenhuma das ideologias, o que leva o jogo a ter um total de seis finais diferentes baseados nas decisões do jogador, o maior número até então. 

Shin Megami Tensei IV, lançado em 2013 para o portátil Nintendo 3DS é o mais recente título da série principal lançado. Nele, o protagonista e seus companheiros, um grupo de samurais recém formados num mundo pós-apocalíptico, embarcam numa jornada como guerreiros exterminadores de demônios que acaba evoluindo para algo muito maior quando seus deveres os levam à Tokyo, onde descobrem que nem tudo é o que parece e que talvez a causa para qual eles lutam seja a real causa dos problemas que humanidade enfrenta. Em breve teremos uma crítica desse jogo aqui no site! 

Além desses jogos da franquia principal, ainda temos Shin Megami Tensei if..., um gaiden da franquia lançado em 1994 para Super Nintendo, que conta a história de Hazama, um jovem gênio atormentado por seus colegas na escola, que, através de um ritual deocultismo, transporta toda a escola para um mundo habitado por demônios para se vingar. Ele então se autoproclama o "Demon God Emperor". É uma homenagem ao Akemi Najakima do primeiro Megami Tensei, apesar de que aqui, o personagem é o antagonista. O protagonista, pela primeira vez na série podendo ser do sexo feminino ou masculino à escolha do jogador, é um aluno da escola e deve investigar esse novo e estranho mundo, à fim de encontrar uma solução para tamanha crise e salvar o corpo estudantil da escola. Aqui, o alinhamento e as escolas do jogador não definem os acontecimentos e finais do jogo. Ao invés disso, logo no início, o jogador deve escolher um dos quatro personagens principais como companheiro, cada um conferindo uma linha de acontecimentos e final próprio. 

Persona, revelando seu verdadeiro eu


Uma das subséries mais famosas da franquia, a série Persona se iniciou no primeiro Playstation, e se liga diretamente à Shin Megami Tensei if..., com a protagonista feminina aparecendo como uma
importante NPC no primeiro Persona. Diferente da série principal, em Persona não existem alinhamentos, e a tecnologia de invocação de demônios é totalmente substituída pela "força de vontade humana",  diferente da maioria dos jogos da série, onde os protagonistas andam por aí com seus computadores portáteis ou COMP's. Os demônios aqui são chamados de Personas, e são manifestações da personalidade de um indivíduo, referenciados como "máscaras" com as quais os personagens enfrentam as adversidades. O poder de utilizar Personas só pode ser utilizado após um "despertar", e confere aos usuários a capacidade de utilizar magia. A série Persona sempre se passa no Japão atual, e como em if..., em ambientes escolares, focando-se em dramas sociais e pessoais e não na salvação do mundo e futuro da humanidade, como nos títulos principais. Os principais inimigos da série, especialmente nos títulos mais recentes, são os Shadows, bem parecidos com Personas, e são manifestações negativas dos pensamentos interiores das pesooas.
Essa subsérie é a de maior sucesso comercial na franquiadevido ao sua atmosfera mais leve e pop, com personagens mais estilizados como nos desenhos animados japoneses. São 6 jogos princiais: Megami Ibunroku Persona (PSX), Persona 2: Inoccent Sin (PSX), Persona 2: Eternal Punishment (PSX), Persona 3 (PS2), Persona 4 (PS2), Persona Q (3DS) e mais um novo jogo que foi anunciando recentemente para PlayStation 3 e PlayStation 4, Persona 5A série ainda conta com inúmeros spin-offs mobiles, dois jogos de luta para console e um jogo de dança ainda à ser lançado.

Devil Summoner, detetives espirituais

 



O primeiro jogo da série, lançado em 1995 para o Sega Saturn, e também se passa no Japão atual, e faz parte da mesma linha de tempo iniciado por Shin Megami Tensei if... e continuada por Persona. Entretanto, diferente desses jogos, a série Devil Summonner normalmente é uma série adulta com personagens relativamente mais velhos. Aqui, as temáticas comuns à série são utilizadas de forma mais modernizada, ao passo que temas atuais como sexo, gênero, drogas e prostituição são evidenciados e não apenas aludidos como em jogos anteriores, assim como é dado um maior enfoque em causas pessoais dos protagonistas. Nada de futuros pós-apocalípticos aqui! 
                        
Outra característica interessante nessa sub-série é que seus protagonistas sempre ou são detetives, ou acabam fazendo o trabalho de um. No primeiro jogo, o protagonista é salvo do ataque de demônios logo no começo por um detetive e summoner, Kyouji Kuzunoha. Ainda assim, o protagonista acaba morrendo e seu espírito possui o corpo de  Kyouji, que também havia morrido. À partir daí, o protagonista no corpo do detetive acaba reassumindo o trabalho do mesmo, ao passo que tenta salvar a vida de sua namorada e impedir os demônios de causarem destruição. 

Já em Devil Summoner: Soul Hackers, lançado para 1997 para o Sega Saturn, o protagonista e seus aliados, um grupo de Hackers conhecidos como Spookies, acaba investigando e descobrindo uma trama que envolve um grupo de cultistas chamados Phantom Society que planejam roubar as almas das pessoas através de uma espécie de jogo de realidade virtual chamado Paradigm X, assim agindo como detetives e tentando impedir tais planos.

Nos dois jogos mais recentes da série, Devil Summoner: Raidou Kuzunoha Vs Souless Army e Devil Summoner: Raidou Kuzunoha Vs King Abaddon, ambos lançados para o PS2 em 2006 e 2008, respectivamente, você controla um Summoner que vive no Japão da década de 30, Raidou Kuzunoha, tendo sido escolhido para proteger a capital japonesa contra as investidas do mundo oculto, enquanto trabalha na Agência de Detetives Narumi como aprendiz. O estilo do jogo é totalmente noir, com ambientação e músicas bem características desse gênero, o que deixa o jogo ainda mais focado na temática de detetives. Além disso, o jogador pode usar os demônios aliados para realizar trabalho de detetive, como farejar items e chegar em lugares que humanos não conseguem.  

Enquanto os dois primeiros jogos da franquia se focam bastante no tecnológico, com os protagonistas utilizando GUMP's - ou Gun-COMP, um híbrido entre uma arma normal e o COMP, os computadores portáteis clássicos da série principal usados para invocar demônios -, as duas aventuras mais recentes no passam no início do século XX, como tal, se focam nos aspectos mais ocultistas da franquia. Para invocar demônios, por exemplo, Raidou utiliza kudas, pequenos tubos usados para confiná-los.

Buscando o Nirvana


A série Spin-off Digital Devil Saga: Avatar Turner é composta de dois jogos lançado em 2004 e 2005 para o PlayStation 2, e funcionam como um só jogo com os mesmos personagens. Esses jogos originalmente seriam uma expansão de Shin Megami Tensei III: Nocturne, mas a ATLUS decidiu apenas aproveitar a engine gráfica e criar um a história totalmente nova. Aqui, somos apresentados a Serph, o líder da tribo Embryon, que vive numa distopia onde várias tribos distintas estão em batalha para chegar ao Nirvana, o paraíso concedido para a última tribo sobrevivente. O jogo mistura elementos futurísticos  com a cultura hinduísta.

O enredo começa quando, durante uma batalha contra outra tribo, um artefato cai no campo de batalha e transforma todos os integrantes da equipe  Embryon em demônios inconscientes, matando e se alimentando dos seus inimigos de forma atroz. De dentro do artefato sai uma mulher que tem o poder de transformá-los de volta em humanos. Dessa forma, o recrutamento de demônios é totalmente deixado de lado em prol de um sistema que permite ao jogador transformar os personagens em demônios e de volta em humanos a qualquer momento na batalha, assim conseguindo efetuar diferentes estratégias. A tribo então, passa a questionar sua posição nesse universo, o poder que os foi concedido e o que de fato seria o Nirvana, tentando descobrir de onde veio o artefato.

Você tem sete dias...



Devil Survivor foi lançado originalmente para o Nintendo DS em 2009 - mais tarde, recebeu um port melhorado para o 3DS - e tem um enredo bem remanescente do primeiro Shin Megami Tensei. O protagonista e seus amigos, que vivem na Tóquio atual, recebem estranhos aparelhos chamados COMP's do primodo protagonista. Aqui os COMP's tem o formato do DS ou 3DS dependendo de qual versão esteja sendo jogada, e não de um computador acoplado ao braço dos personagens como em jogos anteriores. Ao passo que tentam descobrir as funções do estranho aparelho, hordas de demônios começam a atacar a cidade e o governo americano planeja bombardear a cidade para eliminar tais criaturas. Aqui que as coisas mudam, já que enquanto no MegaTen original do SuperNintendo a destruição da cidade é inevitável e o restante do jogo se passava nas ruínas do cataclismo, aqui o foco do jogo é justamente em como o protagonista vai lidar com a situação. O jogador tem sete dias para impedir a destruição da cidade, fugir e abandonar tudo ou ajudar na destruição, lutando pela própria sobrevivência no processo. Diferente de quase todos os outros jogos da franquia, Devil Survivor é um strategy-RPG, com um sistema de batalha similar à Tactics Ogre e Final Fantasy Tactics, onde o jogador controla os personagens através de um grid, posicionando unidades e escolhendo a melhor estratégia de acordo com o embate. Entretanto, ao atacar uma unidade inimiga, o sistema de batalha muda para primeira pessoa, onde fica bastante similar aos jogos principais da franquia. Apesar dos gráficos coloridos e a ambientação inicialmente bem adolescente, o jogo começa bastante a pender para um lado mais obscuro durante seu decorrer, e acaba não devendo nada para os jogos principais nesse quesito.


Já Devil Survivor 2, lançado também para o DS em 2011 - com um port melhorado previsto para lançamento em 2015 no Japão -, mantém grande parte dos sistemas do jogo anterior e a temática de sobrevivência, mas aqui, temos outros protagonistas e um enredo sem nenhuma ligação com o anterior. Na história do jogo, o protagonista e seus amigos se cadastram num site rodando em beta chamado "Nicaea Beta ver.", que supostamente envia ao usuário vídeos da morte de seus amigos antes mesmo que elas aconteçam. Devido a baixíssima qualidade dos vídeos, normalmente o site é tido como hoax. Ao voltarem da escola para casa pelo metro, os personagens recebem ao mesmo tempo através do tal site um vídeo mostrando um acidente de trem e os três sendo esmagados. O acidente realmente acontece, mas demônios surgem e acabam impedindo a morte dos protagonistas, que então os enfrentam e formam contratos com eles. Eis que surge um aplicativo em seus smartphones, o famigerado Demon Summoning Program - sim, aqui no lugar de COMP's, os protagonistas usam seus celulares! É então que misteriosos invasores chamados Septentrionescomeçam a atacar o Japão, e os protagonistas tem 7 dias para derrotá-los. Esse jogo ainda gerou um animação de mesmo nome com 13 episódios.

As Facetas da Deusa...



Além dos spin-offs mais famosos citados acima, a franquia ainda possui muito outros, alguns mais e outros menos destacados, mas todos com suas determinadas características próprias e visando atingir nichos específicos. Enquanto jogos como  Majin Tensei buscavam cativar os fãs de RPG's clássicos como Fire Emblem, simulando suas mecânicas e as implementando no universo ocultista da série, outros como a série Megami Tensei Gaiden: Last Bible mudavam toda a ambientação da série para cenários medievais europeus, a fim de conquistar fãs de franquias mais tradicionais como Dragon Quest e Final Fantasy. 

Ainda há a estranha franquia spin-off Demikids - Devil Chidren, no Japão -, que e é voltada para o público infantil e visava chamar atenção dos fãs de Pokemon, com tramas infantilizadas e demônios fofinhos e bonitinhos.
 
Enfim, é um número invejável de jogos que abrangem os mais variados conceitos, o que evidencia a riqueza dessa franquia que, com suas incursões no oculto, usa tal faceta de nossa cultura para espelhar a nossa própria humanidade. E convenhamos, não há nada mais esclarecedor e ao mesmo tempo estarrecedor do que enxergarmos a nós mesmos e as máscaras que usamos para nos esconder.

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