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Uma série com mais de meio século de história, 34 temporadas, dezenas de livros e áudio dramas, mas até o lançamento de Doctor Who: Legacy no final de 2013, não seria possível mencionar que a franquia possuísse um jogo com uma qualidade digna da história que cobrisse uma quantia satisfatória de companions - sim, usaremos os termos originais -, inimigos, Doctors e arcos mantendo a coerência durante essa viagem.

Não, não é um super MMORPG. É um puzzle. É, estilo Cand Crush e Bejeweled padrão mesmo, para smartphones.


No jogo começamos com a décima primeira encarnação do Doctor, interpretada por Matt Smith - acompanhando o lançamento do filme de comemoração aos 50 anos da série - e descobrimos que estão aparecendo várias interferências no rumo da história mundial envolvendo inimigos já conhecidos e encarnações passadas.

Os primeiros inimigos são da espécie Sontaran e para derrota-los somos apresentados à mecânica do jogo: um tabuleiro Bejeweled com a diferença de que é possível mover cada gema/peça em qualquer direção e distância. Cada combo de três gemas ou mais pode servir como ataque ou defesa como é apresentado no tutorial inicial. Cada cor de gema representa um personagem que você coleta durante as fases, e cada personagem possui uma habilidade que é ativada quando você realiza um determinado número de combos na cor correspondente.

No início, o fato de podermos mover a peça como quisermos parece meio trapaceiro, porém os inimigos impõem dificuldades possuindo eles mesmos todo tipo de habilidade e você entende que é necessário ter estratégia mais do que sorte, um bom diferencial dos outros puzzles.


A história continua com o Doctor buscando uma resposta para os ataques a história da Terra e para isso começa a recrutar companions contemporâneos, clássicos e versões passadas de si para investigar e derrotar os inimigos a medida que os mesmos vão aparecendo. Isso se traduz no jogo como a possibilidade de se formar times com um Doctor - mais do que isso é apelação - e até cinco companions.

As fases podem juntar inimigos que se aliaram, o que vai aumentando a dificuldade, pois cada inimigo também possui uma cor, com uma desvantagem e uma vantagem em relação às demais. E em todas as fases é possível dropar não só personagens, mas itens que permitirão que seus companions e Doctors cheguem a níveis ainda mais altos.

Originalmente o jogo era dividido em Seasons, começando da temporada 7 até a 5, porém sem seguir o contexto e história das atuais temporadas da série televisiva. Possivelmente pensando nisso, os arcos foram trocados por capítulos focados excepcionalmente na trama do jogo, o que explica mais as diversas interações com companions e Doctors que não deveriam aparecer até o jogo chegar na série clássica. Bem como uma justificativa para as fases que abrangem os episódios da oitava temporada com o décimo segundo Doctor.

Infelizmente como se trata de um puzzle, as fases se resumem apenas em batalhas e podem se tornar cansativas depois de um tempo para quem não tiver um impulso colecionador - afinal, são muitos itens e personagens disponíveis -, curiosidade profunda pelo que acontece na história ou um verdadeiro víceio por jogos do tipo.


A trilha sonora fica por conta de Chris Huelsbeck e Fabian Del’Priore e segue bem o estilo de tensão da série dentro dos episódios no jogo, embora ainda bem distantes da maestria de Murray Gold. A música tema, abertura do jogo foi atualizada com a versão da oitava temporada.

O aplicativo possui vários extras para que o usuário permaneça interessado, como níveis mais extremos para quem gosta de um desafio maior e conteúdo mais exclusivo, mudança na aparência das gemas, possibilidade de comprar personagens, outfits e time crystals - um tipo de moeda mais rara dentro do jogo. O time além de personalizável quanto à personagens, também permite a inclusão de “Perks” , que seriam equivalentes as cartas de atributos em um jogo de mesa, na qual determinadas habilidades são incrementadas.

Na Store você consegue obter vários packs vantajosos para passar as fases mais complicadas utilizando-se de time crystals. Além dos packs é possível comprar fragmentos - aqueles itens que te ajudam a subir de nível -, aliados raros, habilidades especiais para personagens e atualmente até usar a nave senciente T.A.R.D.I.S. como aliada. Utilizando dinheiro real você pode adquirir mais time crystals, mas com o valor atual não seria vantajoso.

Na Fan Area você consegue... mais recursos exclusivos! É, os produtores definitivamente não querem que você pare de jogar. O diferencial é que além dos drops mencionados acima, a Fan Area também possui fases que não serão liberadas para os pobres mortais. Para liberar a seção você precisa liberar dilmas e comprar cinco ou mais time crystals em uma única transação. Porque nem só de generosidade vive a Tiny Rebel Games.


Em relação ao visual geral do jogo, o mesmo tenta seguir com fidelidade a aparência dos personagens, porém com êxito mesmo só nos inimigos de fora do Sistema Solar. Poucos são os personagens que realmente lembram as contrapartes que atuam na série sem que você precise das roupas como complemento.

O menu também é pouco intuitivo, não sendo possível acessá-lo sem sair da fase e cancelar o que já foi desenvolvido dentro dela. E ainda não entendemos porque o menu de formação de time é separado do menu de informações sobre os personagens, o que leva ao usuário ter que estudar sobre o mesmo e depois acessar a formação para efetivar a seleção.

Concluindo, é um bom app para os fãs órfãos de jogos mais evoluídos sobre a série, porém os mesmos tem que se esforçar um pouco para ignorar essas pequenas falhas e se concentrar na nostalgia de encontrar tantos personagens que já considerávamos esquecidos nessa longa linha - ou não linha, tudo é meio wibbly wobbly timey wimey… stuff em Doctor Who - de histórias incríveis.

Ou pelo menos uma homenagem muito válida.


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