Análise » Broadchurch - Criando Heróis

Últimas Notícias

Análise » Broadchurch



“Eu odeio! Odeio o ar. Odeio a areia. Odeio essas pessoas estúpidas. Odeio a forma
como trabalham. Odeio seus malditos rostos sorridentes. Odeio esse céu interminável!”


E no entanto, Alec Hardy, Detetive Inspetor continua na cidade de Broadchurch para fechar a todo custo um caso de assassinato que chocou seus moradores.

Broadchurch é uma série, um drama criminal, um pouco distante dos demais do gênero. Criado e escrito por Chris Chibnall para o iTV, como sugere o nome, o plot abrange boa parte da cidade onde o crime ocorreu, um lugar pequeno, onde todos se conhecem e que ficou extremamente abalado após a morte (presumidamente assassinato) do garoto Danny Latimer, de 11 anos de idade.

Um pouco antes da descoberta do corpo, somos apresentados à Ellie Miller, Detetive Sargento, amigável com toda a cidade, que possui em sua opinião a família perfeita, com seu marido e filhos, e que espera receber uma promoção para Detetive Inspetora. Até receber a notícia de que seu cargo dos sonhos vai para o menos que agradável Alec Hardy, vindo de outra cidade. 

Como visto na primeira frase do post, a situação do Alec na pacata Broadchurch é tão confortável quanto a primeira troca de farpas entre ele e sua nova subordinada direta, Ellie. 

Logo após a apresentação dos dois personagens que vão levar a trama adiante, Alec recebe a notícia sobre a presença de um corpo na praia. Ao chegarem no local, somos novamente agraciados com a diferença de personalidade dos detetives. Enquanto percebemos que Hardy vivenciou algo parecido (algo que será mencionado no futuro da série) e se mantém distante, Ellie foge dos protocolos esperados de uma detetive e se emociona ao perceber que se trata do melhor amigo de seu filho mais velho. E as diferenças continuarão por toda a série, junto com as tentativas de trabalhar em harmonia para a resolução do caso.




Para Alec Hardy todos são suspeitos da forma mais extrema que um detetive pode chegar. Interroga os pais, o vendedor de jornais, o padre local e até a própria Ellie, como suspeitos em potencial, de uma forma meio agressiva. Seria capaz de evitar pisar na própria sombra se constituísse uma prova substancial para pôr um fim ao drama vivido pela família Latimer. E nem todos são suspeitos baseados apenas na paranóia de Hardy. Embora Ellie tente defender a honra de todos que Alec ataca em busca de pistas, praticamente todos da cidade tem seus segredos obscuros descobertos, uns mais e outros menos e todos passíveis de ligação com o assassinato.


A série carrega um tom emocional muito grande, visto que se foca mais nas relações estremecidas e no clima da cidade que mudou totalmente depois da tragédia, com moradores olhando por cima dos ombros ou tomando decisões impensadas a fim de se protegerem. Famílias que viviam em paz tendo toda a privacidade escancarada para um dos maiores vilões da série, a imprensa.



Os episódios mostram as reações dos repórteres locais tendo que cobrir uma notícia tão perto da própria casa, e o distanciamento da mídia de fora da cidade tornando o caso um pouco mais do que uma estatística para o resto do estado. A história como um todo mostra de forma mais realista o que acontece com as pessoas próximas a situações dramáticas, sem ver o fim do próprio sofrimento, sendo atacadas por dúvidas, analisadas por terceiros, sem tempo ou forças para um momento de luto. E essa sensação é narrada de forma esplêndida.

A série britânica conta com a participação de alguns (poucos) atores conhecidos, com David Tennant (Barto Crouch Jr. em Harry Potter, Décimo Doctor em Doctor Who) como Alec Hardy, Olivia Colman (Carol Thatcher em A Dama de Ferro) como Ellie Miller e Arthur Darvill (Rory Williams em Doctor Who) como o reverendo Paul Coates, porém todos muito bem escalados. A atuação de Darvill como reverendo Coates é apaixonante, sendo que o mesmo foi o primeiro a ser escalado tendo seu papel escrito com o ator já em mente.

Mesmo entre os atores que estão surgindo agora, à partir da série, temos bons exemplos como Jodie Whittaker, mãe de Danny Latimer, que é a criatura mais paradoxal da série, Pauline Quirke (que até parece bondosa nas imagens do Google) e Adam Wilson, no papel de Tom Miller, filho mais velho de Ellie e melhor amigo (ou não) de Danny.




Uma prática utilizada para que a experiência não fosse estragada com possíveis spoilers foi a não distribuição de scripts completos para os atores. Os mesmos só sabiam o que ia acontecer um pouco antes de gravar a cena, inclusive a resolução e revelação de quem cometeu o crime. Por sinal, evitem o artigo em inglês da Wikipedia, a menos que não se importem com spoilers escancarados.

A trilha sonora acompanha bem todo o desenrolar da história, com a impressão de serem compostas com barulhos de oceano ao fundo (para mimetizar a fatídica praia), porém a última música utilizada no encerramento não dá a sensação de fim. Por possíveis duas razões: a dramática e óbvia de que os cidadãos tem que continuar a viver com a sombra do que ocorreu para o resto da vida, e pelo fato de que agora em 5 de Janeiro de 2015 será lançado Broadchurch Series 2 com espectativas também de uma terceira temporada.

Para quem não tem expectativas de acompanhar séries longas, por enquanto, não é necessário se preocupar. Broadchurch em si, é uma história fechada de 8 episódios, que recomendamos que seja assistida em um dia para evitar horas sem dormir pensando no sentido da vida e se deprimindo. A segunda série ainda permanece uma incógnita com muitas variáveis e especulações e que mantém a premissa da primeira de ser completamente inesperada, sem assassinatos para resolver dessa vez.

A história também foi adaptada para as terras americanas, embora com um sucesso muito menor, trancando-se na primeira temporada apenas. Em outras mídias, temos os livros Broadchurch - the Novel por Erin Kelly baseado na primeira série fechada, com dicas para a segunda temporada e o conto Broadchurch - The End is Where it Begins já entrou em pré-venda com previsão de recebimento nos leitores e-book no dia 6 de janeiro, um dia após a estréia da segunda temporada.

Lembrando também que a primeira temporada se encontra disponível na Netflix.



Criando Heróis desenvolvido por Templateism.com copyright © 2014

Tecnologia do Blogger.