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Análise » V de Vingança


Entre os anos 1982 e 1989, a dupla Alan Moore e David Lloyd mostrou ao mundo a obra que os lançou ao estrelato. Escrita em uma época em que Margaret Thatcher mandava na Inglaterra, Moore, viu que tudo poderia culminar em uma situação parecida com a da Alemanha nazista, onde as minorias seriam presas e assassinadas em nome da moral e dos bons costumes.

Bem, isto não aconteceu. Os conservadores perderam e Tony Blair se tornou chefe, e ganhamos uma incrível e reflexiva obra-prima. Décadas depois, o símbolo máximo da revista (a máscara de Guy Fawkes), que influencia hoje o pessoal do Anonymous entre outros, estampa a capa do relançamento da Panini.


“... Lembrem, lembrem do cinco de novembro. Que traição, que artimanha. Por isso, não há por que esquecer uma traição tamanha...”.

Após a guerra que culminou em um desastre nuclear, a Inglaterra de 1989, que escapou das explosões, sofreu com o clima. Consequentemente, as plantações foram destruídas e a comida tornou-se escassa. Durante este período, algumas pessoas se armaram e causaram diversos saques, ou esperavam que o governo fizesse algo a respeito, mas não havia mais um governo.

Para suprir este buraco no poder, surge uma coalizão de grupos fascistas de nome Nórdica Chama. Logo, o controle foi retomado e pessoas começaram a sumir. Como já acontecera antes, os que não eram mortos na hora, eram levados para os campos de concentração. Lá todos eram interrogados, torturados, mortos ou submetidos aos mais diversos experimentos.

Todo o medo que se tinha da vigília constante do estado sobre o cidadão, controlando seus passos, suas atitudes e sua liberdade de expressão, torna-se real nesta Inglaterra onde o estado tem olhos, ouvidos, nariz e dedos.

De dentro de tanta morte e desgraça, sai uma figura que se ergue e se põe contra tudo isto. Alguém cuja identidade nós não sabemos, e isso sequer importa, pois mais do que uma pessoa, ele representa uma ideia.

Tudo isto nos é mostrado de forma incrível, bem arquitetada, escrita e ilustrada. O personagem conhecido apenas como Codinome V foi aprisionado e torturado e depois de se libertar, entendeu por fim, a leveza que somente a real liberdade traz. Por isso, V é um defensor da anarquia e, em um país que a ditadura reina soberana através do medo, fez com que todos o vissem como um libertador.

As artes de David Lloyd precisam de um parágrafo a parte. Usando da técnica de chiaroscuro (como ficou mais conhecida a luz e sombra, ou claro e escuro). Os tons pastéis suaves (e que eram originalmente, preto e branco) casaram muito bem com a Inglaterra retratada por Moore. Foi Lloyd também que convenceu Moore a evitar o uso de balões de pensamento e onomatopeias, o que deu um novo aspecto à revista.

Entregando um pouco mais à respeito de minha opinião sobre os personagens, preciso comentar que todos os personagens possuem seu tempo na história. Isto é mais do que o suficiente para desenvolvê-los e dentre todos, o meu favorito é o próprio V. Mas é fácil se identificar, ele é uma espécie de curinga; pode ser qualquer um de nós.

Porém, a cena que mais me marcou, pertence à Evey Hammond, uma garota de dezesseis anos que foi salva por V. A cena a qual me refiro (e que não darei detalhes), mostra o quão superficial é nossa concepção de liberdade. Apenas em ler como ela se sentiu, me foi passada toda esta sensação.

Com relação ao material da Panini, devemos levar em consideração alguns pontos. O material usado é bastante simples e se assemelha a uma folha de revista. Isso para algumas pessoas (como eu) pode ser um ponto negativo, já que as chances de rasgar são grandes. Existe também a possibilidade da Panini lançar a versão Absolute (formato de alto luxo da DC) da revista, então se você pretende comprar algo definitivo, pode não ser uma boa adquirir esta.

A obra vem também com extras de como Alan Moore e David Lloyd criaram a história, artes que não foram publicadas e dois capítulos que a princípio foram considerados interlúdios para a trama principal. O preço como sempre pode variar, mas é mais comumente encontrada por R$ 24,90.

Para você que viu o filme e já achou a história sensacional, precisa ler a revista, pois diferente da maioria das adaptações, neste caso as duas se completam. Ou para você que é "gente que não desliga a tevê na hora do noticiário". Então, vale a pena ler e despertar um pouco de seu senso crítico.

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