Análise » Pegasus e o Fogo do Olimpo - Criando Heróis

Últimas Notícias

Análise » Pegasus e o Fogo do Olimpo


Eu me lembro de quando comprei o livro. Estava namorando os lançamentos infanto-juvenis de uma renomada livraria quando parei pela capa. Sim, pela capa apesar do ditado, mas era o Pégasus ali e a mitologia (independente da origem) sempre atrai as pessoas. Li o resumo, me interessei e estou aqui depois de ler Pégasus e o Fogo do Olimpo mais vezes do que posso contar.

A obra, escrita por Kate O'Hearn e lançada pela editora LeYa, tem uma linha bem criativa apesar dos personagens clichês. É desenvolvida muito rapidamente, como se espera de livros que têm jovens e crianças como público-alvo. E realmente é capaz de prender a atenção até o fim da narrativa sem que se perceba o tempo passando, você literalmente vira a última página sabendo que é o fim, mas não se conforma.

Em relação à sinopse, o livro conta o início da aventura e relacionamento de Emily, uma nova iorquina de 13 anos, com o magnífico Pégasus, olímpico que caiu no terraço de seu prédio ao tentar completar uma missão para salvar todos os habitantes do Olimpo. Assim que encontra o Pégasus ferido e emaranhado nas roseiras de sua falecida mãe, Emily ganha uma nova responsabilidade: proteger o Pégasus dos outros humanos e ajudá-lo em sua missão.

Como o olímpico não permite que ela chame outros adultos para curá-lo, ela chama Joel, um romano da mesma idade que ama mitologia, e em específico o Pégasus, para ajudá-la e proteger o cavalo alado.

Mas proteger de que? Aí entram os vilões principais da história: os Nírads. Nírads são descritos como bestas horrendas de quatro braços que têm a única intenção de destruir o Olimpo e tudo que já passou por ele.

Ninguém sabe muito sobre eles além do fato de que são praticamente invencíveis e que mataram diversos deuses até começarem a seguir Pégasus em Nova Iorque. Emily e Joel são então obrigados a sair de casa com o olímpico para fugir dos monstros e encontrar o Fogo do Olimpo, única coisa capaz de salvar os dois mundos.

Paralelamente a narrativa segue Paelen, um olímpico que se sente menosprezado por seus conterrâneos míticos e que ao perseguir Pégasus para roubar suas rédeas, também cai no mundo dos mortais, porém em outro lugar.

Na minha opinião as narrativas do ponto de vista do Paelen são as melhores, pois ele é apresentado como se fosse um anti-herói, não se preocupando muito com a Guerra do Olimpo e sendo descrito como um ladrão covarde, cuja única habilidade é espremer e deslocar seus ossos de forma que consiga passar em lugares apertados. E nem isso é gratuito, pois Paelen odeia a dor que vem com o dom.

Só que posteriormente, ao ser preso na terra por uma organização chamada UCP, o olímpico percebe o erro que cometeu ao atrapalhar a missão de Pégasus e se compromete em encontrá-lo e ajudá-lo para compensar. E a forma como ele, um olímpico, vê o mundo mortal e em particular, o lugar e as pessoas que o interrogaram na UCP, é bem interessante.

Falando na UCP é bom explicar a participação dela na história. A sigla significa Unidade Central de Pesquisa (mais clichê impossível) e é uma organização americana criada para abafar os casos envolvendo alienígenas, e procurar todas as fontes relacionadas com os mesmos em busca de tecnologia extraterrestre (de acordo com o livro, essa é a razão pela qual os Estados Unidos são uma das potências mais poderosas).

Os agentes da UCP confundem Paelen com um alien depois de ver os resultados do seu exame de sangue e o levam para o quartel general a fim de torturá-lo em busca de informações. Demora muito para eles começarem a desconfiar de que Paelen estava dizendo a verdade quando disse que era olímpico e descobrem sobre Pégasus, indo atrás dele e de Emily posteriormente.

Basicamente duas coisas me desagradaram no livro:

Primeiro, não há exatamente uma diferença de mentalidade entre os adultos e os jovens então um tipo de atuação que passaria despercebido para uma personagem de treze anos, soa muito cafona na boca de uma de centenas de anos. Soa teatral na verdade. O contrário também, crianças aguentando dor como se fossem dezenas de anos mais experientes em suportar sofrimento. E isso acontece demais na história, por isso a parte clichê. No mais isso pode ser desconsiderado lembrando a faixa etária para qual o livro é destinado.

Segundo, a autora força até os personagens para que os nomes mitológicos usados sejam a versão romana ao invés da grega. Ficou muito apelativo mesmo, de uma forma muito desnecessária. Eu já não gosto dos termos romanos porque é uma cultura copiada e adaptada, mas a forma que ela escreve meio que impõe que aquilo é o certo, o único certo e que se dane se os gregos que criaram os primeiros mitos usados ali.

Tirando esses dois detalhes, fáceis de relevar, a leitura é ótima, principalmente porque tem partes que chocam em relação a mortes, coisa que já é meio difícil de encontrar nesse tipo de literatura, mas que é jogada na sua cara toda hora quando o clima no livro está "ameno" demais. E outra parte importante é a causa social por trás: maus tratos a animais, especificamente cavalos. São mostradas as condições em que eles são tratados em Nova Iorque e chama os leitores a ajudar a causa. Achei muito válido.

Essa seria a leitura para uma fila em um posto de saúde (sim, é rápida nesse nível). Só aconselho a prestar muita atenção para não perder a sua vez enquanto afunda nessa obra incrível.

Criando Heróis desenvolvido por Templateism.com copyright © 2014

Tecnologia do Blogger.