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São tempos para se criar futuros distópicos em livros, principalmente para trilogias! A mais destacada sob essa luz é Divergente de Veronica Roth, publicada aqui no Brasil pela editora Rocco. Então vamos falar sobre o primeiro livro lançado, homônimo à série.

O livro começa abordando, sob o ponto de vista da adolescente Beatrice, uma espécie de teste vocacional feito por todos os jovens ao atingir 16 anos. Só que não é um teste comum para se tornar advogado, médico ou gari. Não, esse teste é um pouco mais radical, pois a Chicago futurista onde a narrativa ocorre é divida em cinco facções e os jovens devem decidir se abandonam a família e a facção onde nasceram ou seguem seus instintos fundamentais, sejam esses o do altruísmo ou coragem ou inteligência e por aí vai.

É bom entender as características das facções, pois suas regras e costumes são o ponto alto do livro. Existem cinco no total: Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição. A Abnegação é escolhida pelos altruístas, pessoas que pensam naturalmente mais no próximo do que em si mesmos e, portanto são os conselheiros principais, quem mantém a ordem ou o poder dentro da cidade, visto que são os que menos querem isso.

Na Erudição ficam os estudiosos e são os eruditos que criam todos os sistemas e maquinários utilizados pelo resto da cidade. Os francos, como diz o nome, são os que não mentem desde que nascem, apreciam a sinceridade acima de tudo e acima do que os outros podem pensar de si. A facção Amizade fica com os que abominam violência e querem viver pacificamente e na simplicidade. E por fim, Audácia é a facção que fica com os destemidos e fortes física e mentalmente para se tornarem os protetores da cidade.

Beatrice nasceu na Abnegação, mas no teste de vocação seu resultado é inconclusivo e é determinado que ela faça parte de um grupo de pessoas chamadas Divergentes e é muito importante que ela mantenha isso apenas para si se quiser continuar viva. Ela então decide pela Audácia.

O problema é que a facção Audácia também tem que decidir se a quer. É onde começa a parte interessante.
Para entrar realmente nessa facção, os jovens passam pela iniciação, onde seus corpos e mentes serão fortalecidos e apenas alguns, escolhidos definitivamente. Quem não passar (e sobreviver ao processo) é expulso e vira um sem-facção, que ficam com os piores empregos, ou mesmo vivendo na mendigagem e são considerados os párias na cidade.

Beatrice, que é uma garota pequena e criada em uma facção calma tem que aprender a lidar com os novos valores e tratamentos da facção que escolheu. O legal é que todas as facções tem esse período de iniciação com suas características próprias, a da Franqueza, por exemplo, eu achei relativamente assustadora.
Como tudo no mundo o livro tem pontos fortes e fracos:

Primeiro, a personagem é bastante original, tem muitos defeitos e apanha muito até aprender a agir, tem medo, mas não quer demonstrar que tem e acaba parecendo forte demais para os outros personagens. Acredito que a autora tentou fazer isso para evitar que a personagem virasse uma Marie Sue*, mas para mim teve um efeito contrário, porque sempre interpreto isso como qualidade ao invés de defeito. Os personagens em geral têm personalidades bem distintas e um tem um fim bem inesperado. Segundo, os mecanismos diferentes que aparecem nos livros são introduzidos de forma tão natural que parece que sempre tivemos simuladores de realidade em casa.

Outra coisa bem interessante: o romance do livro ficou em segundo plano, e o mais importante, pelo menos nesse primeiro livro não houve triangulo amoroso, o que eu acho uma inovação. E a parte de violência do livro não é amenizada, pessoas morrem e se machucam gravemente e acontecem coisas trágicas com personagens aparentemente importantes, mas nada muito relevante ou chocante considerando o ritmo do livro.

Em relação às referências, o esquema de facções lembra muito, muito mesmo, as casas de Hogwarts em Harry Potter e os Distritos de Jogos Vorazes, ainda mais a facção Audácia em que é necessário eliminar os outros iniciados para conseguir entrar na facção.

O ultimo terço do livro é inteiro um plot twist. Começou meio rápido demais, mas dá bem a sensação que coisas ruins acontecem do nada mesmo, foi bem distribuído. Recomendado para ler em um final de semana, pois é impossível parar de ler até concluir o livro.

Muito recomendado!

*Imagine um personagem com todas as qualidades que você gostaria de ter e nenhum defeito e que não encontra nenhuma dificuldade em conseguir o que quer. Imaginou? É ela. O masculino da critica literária é Gary Stu.

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