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Análise » A Batalha do Apocalipse

Ilustração feita por ~Android-HS

Em 2007, o jornalista Eduardo Spohr publicou por conta própria, o livro que marcaria o início de um caminho trabalhoso, porém gratificante. Lançado em 2009 pela Nerdbooks, selo do site Jovem Nerd, foi sucesso de vendas e não demorou muito para ser relançado por uma editora maior na época como a Verus, pertencente ao Grupo Editorial Record.

Hoje, sem mais delongas, deixarei aqui minha opinião sobre o livro. Podem ler tranquilamente que a resenha abaixo não contém spoilers. O que vocês encontrarão aqui é revelado logo nas primeiras páginas da obra...


"Há muitos e muitos anos, há tantos anos quanto o número de estrelas no céu, o Paraíso Celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio, e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o juízo final...”.


No princípio de tudo, haviam apenas dois seres no cosmo: Yahweh e Tehom. E assim permaneceu até que os dois lados entraram em guerra. Para auxiliar em suas batalhas, Yahweh criou os arcanjos: Miguel, Uziel, Rafael, Gabriel e Lúcifer.

Ao fim da batalha, Yahweh saiu vitorioso e tornou-se soberano no universo. Pôde assim, iniciar o processo da criação de todas as coisas.

Eis que surge então, com uma justificativa muito criativa e plausível, toda trama da história. A verdade é que tudo não foi criado em sete dias e sim, em sete eras. Ou seja, Yahweh, após criar tudo o que conhecemos, partiu para um descanso que dura até hoje e que vai perdurar até o Juízo Final.

Partindo desta premissa, diversas questões surgem para nós leitores. Afinal, quem realizou todas as tarefas que conhecemos? E as mudanças no modo como os seres humanos foram tratados nesse período, ora elevados ora dizimados?

Após o descanso, Miguel, o primeiro arcanjo, herdou o trono do Altíssimo e iniciou seu reinado. Porém, com ciúmes da atenção e carinho com que Yahweh tratava os seres humanos, o príncipe castigou a humanidade na esperança de extinguir a raça terrena.

Cansados de promover morte e desgraça, um grupo de anjos liderados por Ablon, lutou contra toda a tirania dos arcanjos e iniciou o que ficou conhecido como a Revolta de Sodoma. Derrotados, todos foram sentenciados a passar o resto de suas existências na Terra.

Acompanhamos então, a jornada deste anjo renegado por entre os séculos e conhecemos diversos outros personagens, como Shamira, a poderosa feiticeira de En-Dor que passa a ajudar o herói em sua jornada.

Logo no início, somos apresentados à trama do livro e é surpreendente como esta é criada. Eduardo Spohr nos conta desde o início dos tempos, saindo-se muito bem em situações complicadas devido ao tema e em que muitos outros autores poderiam ficar presos. Termos como "tecido da realidade" e "entidades etéreas", são ótimos exemplos de explicações que só recheiam ainda mais este universo fantástico. Embora o conceito de "livre arbítrio" tenha ficado um pouco vago para alguns leitores.

A narrativa baseia-se em flashbacks feitos a partir de relatos do herói renegado, onde iniciamos na antiga Babilônia, passando pelo Império Romano, China, a Inglaterra medieval e podem acrescentar aí também o próprio Rio de Janeiro, que visto por alguém que conhece e reside na cidade, torna a narrativa mais crível. 

Todos esses lugares são carregados de informações históricas e Spohr, sabendo disso, explica muito bem e com detalhes essas informações, o que torna este livro não só um épico de fantasia como também de conhecimento rico sobre as mais diversas culturas.

Outro ponto forte nesta narrativa está na complexidade dos personagens, pois em A Batalha do Apocalipse, encontramos tanto personagens conhecidos, como também novos e todos são muito bem construídos e dotados de um objetivo definido na trama. Dentre figuras como Lúcifer ou Gabriel, um personagem acabou por chamar a minha atenção: Apollyon. O ser que antes conhecido como o anjo destruidor, foi o personagem cujo objetivo mais me pareceu sincero, embora simples.

Um ponto que perdeu um pouco foi justamente em alguns confrontos. Toda a preparação para as lutas é tão bem feita que nós leitores, esperamos por lutas completamente estrondosas e nos deparamos com algumas batalhas épicas de cinco minutos. Os caminhos encontrados pelo autor para rumar sua história, algumas vezes é equivocado e acabam, as vezes por não levar a um lugar muito importante para a conclusão da história.

No mais, se você está à procura de uma aventura épica que une em mesmo plano anjos e humanos, A Batalha do Apocalipse é o livro certo e esta mais do que recomendado. Boa leitura!

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