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O Espetacular Homem-Aranha

Uma aranha radioativa e um garoto comum, essa é a premissa da estranha combinação que surgiu das mentes criativas de Stan Lee e Steve Ditko no início da década de 1960. A história gira em torno de Peter Parker, um jovem órfão que passa a morar com seus tios Ben e May Parker vividos otimamente por Martin Sheen e Sally Field. Peter sofre por estar “excluído” dos dramas adolescentes até que, após ser picado por uma aranha, passa a desenvolver incríveis poderes aracnídeos.

No entanto, como tudo na vida de Peter, quando se ganha grandes poderes e os usa para suprir desejos próprios, o preço a se pagar é muito alto. E é claro que a vida logo o fez pagar seu preço. A partir desse momento, o jovem aprende que com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, e decide usar seus dons apenas para proteger as pessoas.

Cinco anos após o considerado fraco Homem-Aranha 3, os fãs voltam aos cinemas para rever a origem do herói em O Espetacular Homem-Aranha. Neste reboot, baseado explicitamente na versão Ultimate do herói, encontramos uma aura mais sombria para a origem do mesmo. Peter perdeu seus pais quando era apenas um garoto, cresceu querendo saber quem eles realmente eram, mas só consegue esta chance quando adolescente, ao encontrar uma pasta com arquivos de seu pai.

Neste filme, Peter, vivido por Andrew Garfield já possui tudo o que um herói precisa, exceto a força. Algo que após a picada da aranha o torna um herói completo. Isso seria incrível, senão fosse um pouco diferente do Peter original. O garoto gênio, porém odiado pelos colegas de classe e que sofria quase que diariamente de bullying, mas não encontrava forças para reagir e, depois de um tempo, sequer tentava. Algo que não vemos nessa nova versão, onde a qualquer sinal de briga, o garoto está pronto para ajudar, mesmo sabendo que não poderia vencer. Outra mudança significativa diz respeito à caracterização do personagem. O novo Parker possui um skate (com o qual tem uma ligação nunca demonstrada antes), e usa lentes de contato agora.

Mas não é somente na caracterização que o filme falha. Se na trilogia de Raimi os pais do herói mal foram citados, nesta, o foco foi demasiado grande e por vezes beirou ao ponto deles ganharem uma importância para Peter tão grande quanto à de seus tios. No meio de incríveis coincidências, Richard e Mary Parker, interpretados por Campbell Scott e Embeth Davidtz, ligam praticamente todos os personagens também. Tão difícil de acreditar quanto as coincidências, são as perguntas sem respostas que nos apresentam no filme. A origem do aranha, é um ótimo exemplo disso.

O vilão Lagarto, muito bem interpretado por Rhys Ifans, foi uma ótima escolha da produção, visto que o personagem parecia quase pronto para sair na trilogia de Raimi. Muitos reclamaram do visual do vilão, mas na verdade o maior problema fica por conta de suas habilidades intelectuais. Por vezes é possível se deparar com a criatura de corpo e alma animalescos falar, demonstrar raciocínio lógico e outras coisas um pouco mais gritantes. No mais, ele foi bem aproveitado pelo filme e se desenvolveu bem para a trama.

Na tentativa de usar um recurso muito bem sucedido nos filmes da Marvel Studios, em O Espetacular Homem-Aranha, também tivemos uma cena pós-créditos. Que, para muitos poderia sequer ter aparecido, pois não acrescenta quase nada à história.

Um ponto forte no filme é, sem sombra de dúvidas, o visual adotado tanto para os personagens quanto para o ambiente. A maioria das cenas são a noite e você não se sente perdido ao assisti-las. Todo o cenário reproduzido nos filmes passa uma sensação mais crível à história, diferentemente dos filmes de Raimi, onde o visual pareceu mais fantasioso (talvez uma referência aos primeiros quadrinhos). Independente do motivo, se um lagarto gigante ou um duende lunático atacam a cidade, o mínimo que se espera da polícia é um contra-ataque digno (mesmo que inevitavelmente falho) e é justamente nesse ponto que aparece o Capitão George Stacy. Na pele de Denis Leary, pai de Gwen e capitão de polícia de Nova York, vive para seu trabalho e sua família até que o vigilante conhecido como Homem-Aranha começa suas patrulhas pela cidade. A partir daí, começamos a ver a relação desses dois se desenrolar e é realmente interessante o jeito como é abordada no filme.

O traje do herói (criticado por muitos) não ficou ruim na telona. O problema foi somente em como ele conseguiu reunir material para fazê-lo e como o fez, passando tudo rapidamente como se fosse algo realmente simples. O visual do Lagarto também ficou bom, onde mesclaram o rosto de Rhys Ifans com traços reptilianos de tal maneira, que foi impossível não parar e reparar em cada expressão do clássico vilão vivido pelo ator.

Gwen Stacy, interpretada por Emma Stone, o interesse romântico do nosso herói, está praticamente idêntica a original dos quadrinhos, e seus diálogos com Peter foram muito bem explorados graças ao diretor Marc Webb. As cenas de romance levam você para dentro da situação e torcemos para que Peter diga algo e nos tire daquela situação comicamente envergonhada. Sem falar que desta vez, Peter consegue muito rápido sua garota, em contraste com a trilogia na qual levou os dois primeiros filmes para consegui-la. Gwen é inteligente (aparentemente tanto quanto Peter) e trabalha com o Doutor Curt Connors nas Indústrias Oscorp, cujo dono, para quem não lembra é Norman Osborn, o Duende Verde (que não apareceu no filme, embora tenha sido citado).

Falando sobre a ação presente no filme, para quem é fã, o Aranha com um porte físico mais fiel aos quadrinhos, fazendo suas acrobacias clássicas tanto em perseguições quanto em cenas de luta são realmente o ponto mais alto do filme. O 3-D funciona bem, mas talvez por medo de arriscar, pode ser facilmente deixado de lado.

Tirando algumas falhas no roteiro, que por serem no primeiro filme, as tornam menos graves, visto como aconteceu em Homem-Aranha 3 quando decidiram impor coincidências absurdas e mudar uma história já estabelecida na memória das pessoas, o filme foi sim, bom e vale o ingresso (seja ele 3-D ou não). Depois de assistir, só podemos esperar que o próximo filme (já confirmado) acerte tanto quanto o de Raimi acertou em 2004.

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